quinta-feira, agosto 24, 2006


Retraro do Artista, por Ney Tecídio
José Maria de Almeida

Comissões de Honra que se constituem para a homenagem ao pintor José Maria de Almeida, no centenário do seu nascimento (4 Out. 1906)


– Em Portugal –

– Senhor Governador Civil do Distrito de Viseu, Dr. Acácio Santos da Fonseca Pinto
– Senhor Presidente da Câmara Municipal de Mangualde, Dr. António Soares Marques
– Senhor Vice-presidente e Vereador do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal
de Mangualde, Dr. António Manuel Pais Silva
– Senhor Presidente do Elos Internacional da Comunidade Lusíada,
Dr. Juiz Conselheiro Alcindo Costa
– Senhor Adjunto do Primeiro-Ministro de Portugal,
João Pedro do Rego dos Santos Vasconcelos
– Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Cunha Alta, Vitor do Amaral Tenreiro
– Senhor Presidente do Elos Clube de Leiria e Director do Museu Maria da Fontinha,
Dr. Arménio dos Santos Vasconcelos
– Senhor Vice-Presidente do Elos Clube de Leiria, Dr. Adélio David Amaro
– Senhor Presidente da Associação Cultural, Recreativa e Social de Cunha Alta,
Fernando Cabral
– Senhor Presidente da Associação Cultural Pedras Vivas de Cunha Alta,
Manuel do Nascimento Costa
– Senhor Juiz Desembargador, Dr. Manuel Fernando Almeida Cabral

– No Brasil –

– Senhora Presidente da Academia Brasileira de Belas Artes, Dr.ª Iracy Carise
– Senhora Presidente da Sociedade Brasileira de Belas Artes, D.ª Therezinha Hillal
– Senhora Directora do Património da Sociedade Brasileira de Belas Artes,
D.ª Áurea Maria
– Senhor “Chanceler” da Ordem do Mérito das Belas Artes, Eng.º Sansão Pereira
– Senhor Vice-Presidente do Elos Internacional da Comunidade Lusíada,
Dr. António Abraços
– Presidente do Elos Clube do Rio de Janeiro, Dr. Eduardo Neves Moreira
– Senhora Presidente da Academia Artes e Letras de Paranapuã,
D. Eliane Mariath Dantas
– Mestre Pintor Ney Tecídio
– Mestre Escultor Gilberto Mandarino
– Mestre Pintor Mazza Francesco
– Professor e Escritor José Maria Carneiro
– Senhor Capitão Dr. Eduardo Pinto
José Maria de Almeida
O Homem e o Artista




Nasceu em Cunha Alta, Mangualde, há 100 anos (4 de Outubro de 1906). Filho de António Cabral de Almeida e Elvira de Jesus. Teve três irmãos: Flávio, Manuel e Maria do Nascimento; esta prestes a atingir as 94 primaveras.
Com 13 anos, José Maria enfrentou o mundo, atravessou o mar e arribou aos "Brazis", cheio de sonhos, esperanças e saudades.
Saudades da sua Cunha Alta, de suaves colinas, de casas brancas e negras, em que se realçava a Casa da Oração, o grande tanque de granito para onde jorrava a cristalina água e as calçadas onde ressoavam os "sócos" da meninada nas gélidas manhãs dos Invernos.
Havia pinhais, olivais, vinhedos e na época própria os milheirais, por onde a criançada se esgueirava à cata dos peros e pêssegos imaturos.
Sonhos e esperanças de vencer, mas conhecedor da sua sensibilidade, do seu saber e da sua "habilidade" - que também se diz "técnica". Isto, o tempo confirmá--lo-ia…
E se Mangualde se chamara antes Azurara; se de Azurara havia sido Senhor Pedro Álvares Cabral e se seu pai recebera este apelido no seu nome, encontrava--se ele, agora, extasiado perante tanta beleza divina e tão fascinante colorido, na capital daquele Brasil que aquele Pedro Álvares Cabral descobrira quatro séculos e 20 anos antes. Era o dia 18 de Setembro do ano de 1920.
De seguida, de seguida, a identificação da Cidade, do Mundo, dos Homens, o diálogo com as Artes, com a Cultura; a familiarização com os pincéis, as tintas, as espátulas, as telas, as madeiras, os óleos, colas, sabões, misturados com desenhos, com manchas, em cores que vira nos seus sonhos e na sua aldeia nas manhãs da sua existência.
Pintou grinaldas e guirlandas, frisos, gregas, flores entalhadas e deu-lhes realce e sentido: o que foi notado pelo conhecido milionário Carlos Guinle, da famosa Família do mesmo nome e à altura detentora de um império, nomeadamente nos sectores da hotelaria, do turismo e das Artes.
Voltou à sua lareira, com 21 anos. Visitou Viseu e o Grão Vasco; bebeu água da sua Fonte, em Cunha Alta e logo retornou ao Rio que já também lhe arrebatara os sentidos e onde sentia mais distantes pistas para percorrer, daí em diante, em busca de mais misteriosos e grandiosos prémios.
Aprendeu mais com Oswaldo Teixeira da Rocha, com Rodolpho Chambelland, com Bruno Lechowski, Manoel Santiago, Quirino Campofiorito, Carlos Gomes e muitos outros.
Fez parte do notável "Núcleo Bernardelli", nomes grandes das Artes brasileiras, mexicanas, americanas e mundiais. Trabalhou em simultâneo e em grupos com Edson Motta, José Pancetti, Yoshia Takaoka, Ado Malagoli, Milton Dacosta, Rescala, Sigaud, Busta-mante Sá, Joaquim Tenreiro, Fernando Martins e tantos outros ilustres que, imortais, vivem no Panteão das Artes do Brasil.
Ficaram famosas as suas exposições: O Liceu Literário Português, a Sociedade Brasileira de Belas Artes, o Museu Nacional das Belas Artes e tantos Salões magníficos revestidos de brilhantismo e aplauso.
Casou em 8 de Dezembro de 1934, com uma bela e prendada jovem, de nome Emma, sobrevindo o enorme desgosto de perdê-la e ao filho, no acto do parto.
Isola-se do mundo. De tudo.
E assim permaneceu cerca de dois anos.
Soube ele, após essa dor e esse tempo, abrir de novo as portas, as janelas e os sorrisos que atravessara antes, na pendência da felicidade (que haveria de acompanhá-lo de novo e plenamente), dos sonhos e das alegrias.
Com Maria Rita, companheira afectuosa e dedicada, bem como da sua filha, Ana, que lhe trouxeram a certeza e a segurança espirituais até ao seu finamento.
Foi marcante a vida artística de José Maria de Almeida, desde o Palace Hotel, Liceu Literário Português, sem esquecer o Palacete da Rua do Lavradio do Marquês do Lavradio, onde ainda hoje se sentem fragrâncias de tantos notáveis, como Mandarino, Carlos Gomes, Sansão Pereira, Ney Tecídio, Dario Silva e outros.
Daquela Sociedade Brasileira de Belas Artes foi José Maria de Almeida, Director Artístico, por mais de 30 anos e aí teve ele a honra de assistir a partir de 1984, no Dia da sua Pátria (10 de Junho) à abertura oficial do "Salão de José Maria de Almeida", que acontece anualmente.

Ninguém distinguia nele a pessoa e o artista. Parafraseando José Maria Carneiro, dir-se-á que: "Como pessoa era por todos querido; como artista, era por todos admirado".
Viajou várias vezes a Portugal. Aqui pintou, como o fez em Espanha, na França, na Itália. Expôs na Casa das Beiras, no Porto e em Mangualde seu município natal. Saboreou as maravilhosas cerejas das suas cerdeiras, gravou os andores e as procissões, as ceifas, os rebanhos, as personagens e as fontes da sua terra. Caminhou nas ruelas de Montmarte, atravessou as curvas pontes de Veneza, sentiu o encanto flo-rentino, a quentura meiga do Alentejo, os pregões da Mouraria e de tudo nos deixou inesquecíveis e belíssimos testemunhos.
Pelo seu valor e porque honrou a Cidade que o recebeu, foi-lhe outorgado o título de "Cidadão Carioca" e pelo muito que fez pelas Artes, foi-lhe concedido a Comenda de Grande Oficial da Ordem do Mérito, da qual é ainda hoje "chanceler" o grande Artista e Amigo Sansão Pereira.
Contou como seus Amigos todos os que com ele conviveram e na Sociedade há que realçar Ethel Lowndes, Therezinha Hillal, Gilberto Mandarino, Carlos Gomes, Ney Tecídio, Óscar Tecídio, Dario Silva, Haidê Morani, Elisabeth Kinga, Iracy Carise e centenas mais…
A filha Ana, o genro-filho Humberto, cuidaram zelosa e dedicadamente de José Maria de Almeida, nos últimos momentos da sua existência.
Faleceu em 14 de Junho de 1995, na fértil terra de Uberlândia, a 1.000 km do Rio.
São Pedro abriu-lhe as portas.
São Pedro é o padroeiro da sua Cunha Alta…
Legou-nos José Maria de Almeida centenas de "filhos espirituais", disseminados por terras do Brasil, Portugal e outros países; como deixou, qual vergôntea que rejuvenesce em todas as primaveras, raízes que cobrem o Mar, as quais alimentam o orgulho e a honra de todos os que o conheceram e de todas as gentes da sua Cunha Alta e demais terras de Azurara da Beira.

quarta-feira, agosto 23, 2006


Tem José Maria de Almeida obras suas em vários Museus, nomeadamente no de "Maria da Fontinha", em Além do Rio, Castro Daire, o qual alberga centenas de peças - pintura e escultura - de centenas de artistas plásticos brasileiros.
Na toponímia da Cidade de Mangualde e na freguesia de Cunha Alta, existem ruas com o seu nome, em merecida homenagem.
Na Casa da Cultura de Conservatória, no Estado do Rio de Janeiro, encontra-se um busto, magnífico, de José Maria de Almeida, esculpido pelo também grande Artista e Grande Amigo, Gilberto Mandarino.

Por isso, as várias iniciativas para recordar o seu nome, a sua personalidade e a sua obra, na passagem do centenário do seu nascimento. Ocorrerão, por via disso, eventos alusivos, quer no Rio de Janeiro, quer em Cunha Alta, quer em Mangualde, quer no referido Museu Maria da Fontinha. E de todos irão sendo dadas informações.

Quanto ao programa das comemorações, conjugar-se-ão esforços com o já iniciado pelas entidades sociais e culturais de Cunha Alta; sendo certo que será levada a efeito uma exposição, em local a indicar, na Cidade de Mangualde, englobando obras do autor José Maria de Almeida e de mais de vinte artistas plásticos que com ele conviveram na Cidade do Rio de Janeiro, nomeadamente no Liceu Literário Português e na Sociedade Brasileira de Belas Artes, dos quais desde já se destacam Ney Tecídio, Óscar Tecídio, Dario Silva, Gilberto Mandarino, Marice Prisco, Haidê Mo-rani, Vera Figueiredo, Vera Gonzalez, Heloiselena, Sansão Pereira, Carlos Gomes, Fátima Gomes, Renato Bordini, Wagner Fráguas, Virgílio Dias, Manoel Costa, Maria Alcina, T. Brasil e outros.

terça-feira, agosto 22, 2006


À semelhança do que ocorreu em vida de José Maria de Almeida, por iniciativa deste e quanto a obras suas, será efectuada uma mostra de pintura, com dezenas de quadros e esculturas, nas ruas de Cunha Alta, criações de Artistas brasileiros; evento que se pretende aconteça no feriado, 5 de Outubro, se as condições climatéricas o permitirem.
Será levada a efeito uma Sessão Solene, no dia 4 de Outubro, intervindo autoridades e artistas, com momento musical e leitura de poemas e, em simultâneo, serão projectadas fotografias de locais que José Maria de Almeida conheceu e de obras que executou.
Contamos com todos.
José Maria de Almeida fez por merecê-lo. Também a sua esposa, Maria Rita, que nos deixou há dois meses, com a provecta idade de 97 anos; a sua filha, Ana Rita e as suas netas Ana Cristina e Ana Flávia, o merecem.
Arménio Vasconcelos