quinta-feira, agosto 24, 2006

Casou em 8 de Dezembro de 1934, com uma bela e prendada jovem, de nome Emma, sobrevindo o enorme desgosto de perdê-la e ao filho, no acto do parto.
Isola-se do mundo. De tudo.
E assim permaneceu cerca de dois anos.
Soube ele, após essa dor e esse tempo, abrir de novo as portas, as janelas e os sorrisos que atravessara antes, na pendência da felicidade (que haveria de acompanhá-lo de novo e plenamente), dos sonhos e das alegrias.
Com Maria Rita, companheira afectuosa e dedicada, bem como da sua filha, Ana, que lhe trouxeram a certeza e a segurança espirituais até ao seu finamento.
Foi marcante a vida artística de José Maria de Almeida, desde o Palace Hotel, Liceu Literário Português, sem esquecer o Palacete da Rua do Lavradio do Marquês do Lavradio, onde ainda hoje se sentem fragrâncias de tantos notáveis, como Mandarino, Carlos Gomes, Sansão Pereira, Ney Tecídio, Dario Silva e outros.
Daquela Sociedade Brasileira de Belas Artes foi José Maria de Almeida, Director Artístico, por mais de 30 anos e aí teve ele a honra de assistir a partir de 1984, no Dia da sua Pátria (10 de Junho) à abertura oficial do "Salão de José Maria de Almeida", que acontece anualmente.

Ninguém distinguia nele a pessoa e o artista. Parafraseando José Maria Carneiro, dir-se-á que: "Como pessoa era por todos querido; como artista, era por todos admirado".
Viajou várias vezes a Portugal. Aqui pintou, como o fez em Espanha, na França, na Itália. Expôs na Casa das Beiras, no Porto e em Mangualde seu município natal. Saboreou as maravilhosas cerejas das suas cerdeiras, gravou os andores e as procissões, as ceifas, os rebanhos, as personagens e as fontes da sua terra. Caminhou nas ruelas de Montmarte, atravessou as curvas pontes de Veneza, sentiu o encanto flo-rentino, a quentura meiga do Alentejo, os pregões da Mouraria e de tudo nos deixou inesquecíveis e belíssimos testemunhos.